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Critérios elásticos

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13.02.2026

 Há mercados que se analisam pelos números. Outros analisam-se, sobretudo, pelas reações. E este inverno ficou marcado menos pelo que cada um fez e mais pelo modo como se falou do que cada um fez. No futebol português, tantas vezes o que pesa não é o investimento, mas a narrativa construída à volta dele.

Os factos são objetivos. O Sporting investiu 20,5 milhões de euros em dois jogadores. O Benfica ficou pelos 11. O FC Porto pelos 10. Ainda assim, foi no Dragão que se assistiu ao maior rodopio, quatro entradas e umas quantas saídas, num mês que, segundo a cartilha repetida ano após ano, serve apenas para retoques cirúrgicos, pequenos ajustes, correções pontuais ao que ficou mal resolvido no verão. A teoria é sempre essa. A prática, como se viu, nem sempre acompanha o discurso.

Quando o Benfica ultrapassou os vinte milhões em janeiro passado, a leitura foi imediata e quase unânime. Falou-se em desespero competitivo, em all in, em falha estrutural de planeamento. Disse-se que um clube organizado não precisa de gastar tanto a meio da época. Este ano, com valores praticamente idênticos noutra paragem, o tom foi substancialmente diferente. Análise técnica, contextualização estratégica, explicações ponderadas. O critério, pelos vistos, adapta-se às circunstâncias e, sobretudo, às cores.

O FC Porto apresentou como último reforço um médio de 30 anos. Antes dele tinham chegado um central de 41, um avançado de 26 e um jovem de 17. Um mercado heterogéneo. E é inevitável a pergunta que........

© A Bola