Terapia das compras. Opinião de Sofia Santos Machado
Na ilha do Corvo, nos Açores, com uma média de 400 habitantes, e até há poucos anos, com uma única “venda”, “ir às compras” nunca foi uma tarefa lúdica e uma oportunidade de convívio. E quando surgiram os catálogos, esse precursor das vendas à distância, manteve-se uma atividade solitária… pontuada pelo desalento do “isto não era bem assim na foto”.
Em Portugal, no final dos anos 1990 e no início de 2000, multiplicaram-se os centros comerciais e estes tornaram-se local de romaria de famílias e espaços de convívio de grupos de adolescentes. Eram espaços limpos e organizados, que contrastavam com os centros das cidades, desertos de pessoas, com muitos prédios abandonados.
O Chiado já não era o centro de vida do tempo de Os Maias e foi preciso a Troika, a lei do arrendamento “Cristas” e o boom do turismo para revitalizar a Baixa lisboeta. Mas as Baixas de Lisboa, do Porto e de muitas outras cidades por esta Europa tornaram-se........
