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Na saúde e na doença, estamos juntos. Mas estaremos cientificamente ligados?

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07.04.2026

O Dia Mundial da Saúde 2026, que se assinala esta terça-feira, 7, celebrado sob o tema da organização Mundial de Saúde (OMS) “Together for health. Stand with science”, surge como um convite global para renovar a confiança na ciência e para fortalecer a cooperação interdisciplinar e internacional em benefício da saúde humana, animal e ambiental. Segundo a OMS, este convite celebra conquistas científicas e prioriza a transformação de práticas fundamentada na melhor evidência disponível. No fundo, a transformação da saúde para o melhor bem das pessoas, com base em conhecimento rigoroso, sério e produzido por todos os envolvidos. O impressionante número de instituições científicas (quase 800) e de diferentes países (mais de 80) que abraçaram este desafio parece afirmar a necessidade e da concretização deste desiderato.

A saúde, hoje, e cada vez mais, é um domínio interdisciplinar, plural, e feito de saberes que são encontram sentido quando colocados ao serviço das pessoas: vulneráveis e com a única expetativa de ter a melhor resposta possível. Esta resposta que tem evoluído – de modo estonteante – ao longo das últimas décadas e – de modo impressionante – nos últimos tempos, em que já existem propostas concretas de colaboração e substituição de humanos.

Mas, inexoravelmente, são os humanos que criam tudo o que não é humano. E isso tem tanto de tranquilizador como desafiante. A saúde não pode compadecer-se de respostas que não sejam para o bem. E o bem é mais facilmente concretizado com pluralidade, partilha e diálogo entre pares. “Stand with science”, logo após um “toghether for health” parece um apelo ao que deve imperar: a ciência, e não a perceção social das profissões; a ciência, e não a ideia de uma hierarquia científica.

Os profissionais de saúde habitualmente formam-se separadamente para trabalharem juntos. Que bom seria estarmos juntos a aprender, com base na ciência, para depois juntos trabalharmos melhor. Se quisermos “stand in science”, então cada um saberia o seu campo disciplina e onde se cruzam e potenciam saberes para a resposta final de um “together for health”.

Ora, esta reflexão exige compreender que interdisciplinaridade é estarmos ligados ao ponto de, precisamente por sermos diferentes, garantirmos uma resposta completa e una para um bem maior. Esta é uma reflexão que exige olhar todos os prismas, e não apenas os contextos clínicos. Exige (re)pensar os contextos formativos e o modo como continuamos a falar em interdisciplinaridade, quando continuamos a ser (em)formados em silos disciplinares. Não por não estarmos juntos, mas por não estarmos, efetivamente, ligados.

A interdisciplinaridade apresenta-se, assim, como o alicerce para soluções consistentes e para co-construir respostas. É neste ponto que o pensamento do Papa Francisco, particularmente, na encíclica Laudato Si se torna visionário e pertinente, ao nos lembrar que a Terra é a nossa casa comum e que a sua degradação, pelo uso irresponsável de recursos, pode comprometer todos e a saúde.

A mensagem “Stand with science” é ampla ao ponto de convocar todos para o maior bem do planeta e dos mais vulneráveis. Não basta produzir conhecimento. É urgente garantir o seu bom uso. Em tempos de (des)informação instantânea e prontamente acessível, a confiança na ciência deve ser garantida. Estamos juntos nesta visão, mas precisamos de estar efetivamente ligados na ação.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.


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