menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Ficheiros Epstein: mais revelações inquietantes

22 0
05.03.2026

Já sabíamos que Jeffrey Epstein andou a pagar ao chefe de Ginecologia da Universidade Estadual de Ohio quantias trimestrais de milhares de dólares. Como se essa notícia saída dos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA não fosse suficientemente perturbadora, há provas de que o agressor sexual mantinha por perto um grupo de médicos que lhe prestavam serviços VIP de maneira pouco ortodoxa.

A fotografia sem data que aqui publicamos parece mostrar Jess Ting, um cirurgião plástico do Hospital Mount Sinai, em Nova Iorque, a realizar um procedimento na sala de jantar da mansão que Epstein tinha no número 9 da Rua 71 Este, no Upper East Side de Manhattan.

Em junho de 2012, o financeiro enviou um email a Eva Andersson-Dubin, médica no Mount Sinai, que fora sua namorada antes de se casar com Glenn Dubin (identificado por Virginia Giuffre como um dos homens com quem foi forçada a ter relações sexuais), pedindo-lhe ajuda urgente. Uma estudante russa caíra de uma moto-quatro na sua ilha privada, ficando com um corte na testa. “Podes organizar os cuidados?”

Dubin respondeu-lhe que Ting estava “à disposição”, noticiou o New York Times. Nos dias seguintes, Epstein contou a uma assistente que o cirurgião dera 35 pontos à jovem, enquanto esta estava “deitada na mesa da sala de jantar”.

Jess Ting estaria mesmo à disposição do agressor sexual e de quem o rodeava. De acordo com o Politico, uma semana antes do Natal de 2014, uma assistente de Epstein contactou-o de novo: poderia ele atender uma “amiga” do financeiro “para corrigir um buraco no nariz causado por um piercing”? O cirurgião respondeu que estava prestes a ir de férias, acrescentando: “MAS para o sr. Epstein, tudo é possível.”

Os documentos divulgados pelo DOJ já permitiram estabelecer o modus operandi de vários médicos que lhe respondiam sempre ámen – e em diferentes áreas da medicina. Epstein tanto encaminhava as mulheres para exames pélvicos ou remoção de sinais como pagava psicoterapia e tratamentos dentários.

E os médicos faziam por limpar o rasto que poderia relacionar as jovens a Epstein. Pelo menos, um deles encaminhava-as para tratamento de gonorreia noutros locais, para que, quando os seus casos fossem comunicados às autoridades de saúde pública, não fossem associados ao financeiro.

É todo um outro nível de revelações que quase todos os dias emergem dos ficheiros. Uma das mais recentes aponta para o número 301 da Rua 66 Este, um prédio de 16 andares que pertenceu a Les Wexner (o ex-CEO da Victoria’s Secret que também foi dono da mansão na Rua 71) e é hoje propriedade do irmão do financeiro, Mark.

Segundo a Blue Amp Media, ao longo dos anos Epstein foi enchendo os seus 200 pequenos apartamentos com namoradas, sócios e empregados. Eva Andersson chegou a morar lá, assim como Jean-Luc Brunel (que foi preso sob acusações de violação e se suicidou numa prisão francesa).

Em jeito de nota de rodapé, escreva-se que a Operação Fúria Épica, lançada por Donald Trump no último dia de fevereiro, distrai as atenções daquilo que vai saindo dos ficheiros. Nomeadamente, da pergunta: o que é feito dos relatórios do FBI que incluem a alegação de que o Presidente dos EUA abusou de uma menor, na década de 1980?


© Visão