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Manual do populismo em tempo real: “Calamidade” à medida e suspeitas pré-fabricadas

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06.02.2026

Há propostas que nascem de convicção; outras nascem de calendário; e há as que nascem de um impulso irresistível para ocupar o telejornal da noite. O pedido de adiamento “nacional” das Presidenciais, apresentado por André Ventura, pertence claramente à terceira categoria: é barulho com pretensão de decreto.

Comecemos pelo princípio — esse lugar pouco frequentado quando o objetivo é o “soundbite”. A lei eleitoral não foi escrita para acomodar a ansiedade de uma campanha, mas para proteger o direito de voto em circunstâncias excecionais e concretas. A regra é simples e institucional: o País vota no mesmo dia; se houver impossibilidade local, existe um mecanismo para resolver localmente, sem paralisar o País inteiro.

E é aqui que a narrativa descarrila. A Comissão Nacional de Eleições tem sido clara: não há enquadramento legal para um adiamento geral. O sistema admite, sim, soluções pontuais e localizadas, quando uma assembleia/secção de voto não consegue funcionar por motivos objetivos (incluindo calamidade), sem que isso suspenda o ato eleitoral no resto do território.

As “pérolas das pérolas”: “onde se guardavam os votos”

Uma das “pérolas das pérolas” desta polémica foi mesmo........

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