Proteger as crianças migrantes é um dever democrático
Portugal orgulha-se — e com razão — de uma tradição democrática assente nos direitos humanos. Mas há momentos em que os valores não se medem pelo que dizemos de nós próprios, medem-se pelo que fazemos quando ninguém está a olhar. A forma como tratamos as crianças migrantes é um desses momentos. E hoje, em Portugal, essa resposta continua a ser insuficiente, fragmentada e perigosamente silenciosa.
Todos os anos, crianças chegam ao nosso país sozinhas ou em contextos familiares profundamente fragilizados.
Fogem da guerra, da fome, da perseguição ou do colapso das condições mínimas de vida. Não chegam por escolha. Chegam por necessidade. E chegam a um sistema que as reconhece juridicamente, mas que muitas vezes falha em protegê-las de forma efetiva.
Não é por falta de informação. Sabemos que os tempos de decisão são longos. Sabemos que o acolhimento é frequentemente provisório. Sabemos que a transição para a maioridade deixa jovens subitamente sem proteção. Sabemos que a espera prolongada destrói percursos educativos, corrói a saúde mental e empurra muitos para circuitos informais de sobrevivência. Continuar a fingir surpresa é desonesto.
O problema não é técnico. É........
