O Presidente, a guerra e o interesse nacional
Vivemos um momento histórico marcado por guerras regionais, instabilidade geopolítica e pressões migratórias crescentes.
É um tempo desafiante e, do ponto de vista meramente teórico e académico, altamente interessante, em que a política externa deixa de ser um domínio técnico para se tornar num tema central da vida democrática.
Portugal não decide os conflitos que abalam o mundo. Mas vive com as suas consequências.
Para países de dimensão média ou pequena, como o nosso, a definição do interesse nacional e a gestão das alianças internacionais assumem uma importância ainda maior. Neste quadro, o papel do Presidente da República ganha particular relevância, não apenas como representante máximo do Estado, mas também como garante da continuidade estratégica da política externa portuguesa.
Embora não conduza diretamente a política externa, o Presidente tem uma responsabilidade que talvez seja ainda mais importante: ajudar a compreender o que está em jogo, sendo um dos poucos lugares institucionais capazes de recordar isso ao País. Num mundo em guerra, marcado por tensões geopolíticas crescentes, esta função de equilíbrio e orientação, bem como a clareza estratégica, assumem enorme importância, podendo ser tão relevantes quanto a força militar.
No cenário atual, em que as tensões entre os Estados Unidos e vários atores do Médio Oriente transformaram a região num dos principais focos de instabilidade global —........
