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Kristin: Um teste à governação em tempo de crise

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03.02.2026

A depressão Kristin não foi apenas mais um episódio de meteorologia extrema. Foi um teste à capacidade do Estado português para antecipar, coordenar e liderar em situação de crise. E, mais uma vez, o resultado foi preocupante.

Quando os efeitos do mau tempo já eram evidentes no terreno — populações isoladas, estradas destruídas, prejuízos significativos — a resposta do Governo surgiu tarde e a reboque dos acontecimentos. Não houve sinal de antecipação estratégica, apenas uma sucessão de reações avulsas, muitas vezes desencadeadas pela pressão mediática.

Situações de crise não nos são completamente estranhas. A tal aprendizagem a que a ministra da Administração Interna não se cansou de aludir podia e deveria ter sido feita por observação do que se passou noutros países aqui ao lado.

Em Espanha, por exemplo, episódios recentes de tempestades severas e cheias em regiões como Valência, Andaluzia ou Catalunha levaram à ativação imediata de planos de emergência multinível, com comunicação coordenada entre governo central, comunidades autónomas e municípios, mobilização precoce das forças armadas (UME) e mensagens claras à população desde as primeiras horas.

Em Portugal, porém, a liderança política demorou a surgir — e, quando surgiu, foi fragmentada.

A ausência política da Ministra da Administração Interna foi particularmente notória. Num contexto em que a Proteção Civil........

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