O que devem ensinar às crianças
Ensinem as crianças a rirem, a cantarem, a brincarem e a serem felizes.
Ensinem as crianças e verem os passarinhos, as flores e as árvores, os vales e as montanhas, os rios e o mar. Ensinem as crianças a sentirem o vento nas faces.
Ensinem as crianças a contarem às outras crianças o que lhes apetece contar, a ouvirem o que alguém conta, a fazerem e a responderem a perguntas. O que o outro diz é sempre importante.
Ensinem as crianças a ler e a escrever, a expor as suas opiniões e a ouvirem as opiniões das outras pessoas, sem as interromperem.
Ensinem as crianças a debater e a argumentar, a persuadir e a convencer.
Ensinem as crianças a criticarem e a louvarem comportamentos.
Ensinem as crianças a procurarem a informação que lhes interessa, a recusarem o que não lhes interessa, a controlarem a veracidade da informação, a contextualizarem e a utilizarem a informação.
Ensinem as crianças a refletirem, a questionarem e a questionarem-se, a serem modestas, gentis e justas.
Ensinem as crianças a terem valores – morais, éticos e sociais – que as guiem nos seus comportamentos. Ensinem as crianças a verem nos comportamentos dos outros os valores que os guiam.
Ensinem às crianças o significado de civilidade, honra e maldade. Ajudem-nas a praticarem, dêem-lhes o exemplo.
Ensinem as crianças a ajudarem e a pedirem ajuda, a brincarem e a trabalharem sozinhas ou em grupo. Evitem a competição entre crianças.
Expliquem às crianças que pertencem a uma comunidade e que cada um, dentro dessa comunidade, tem o dever de ajudar e proteger o outro.
Ensinem às crianças o que são as Liberdades Individuais e os Direitos do Homem. Ajudem-nas a expô-los pelas suas próprias palavras.
Ensinem às crianças o que é escravatura, democracia, ditadura, autocracia, teocracia, fascismo, capitalismo e comunismo. Deixem-nas praticar.
Ensinem às crianças o que é a guerra e a paz. Porque existem. Deixem-nas falar.
Ensinem às crianças o que é amor e ódio, alegria e tristeza, vergonha e indiferença. Deixem-nas falar.
Ensinem às crianças que são portuguesas e europeias, que a nossa história, a história dos nossos avós, dos nossos antepassados, tem muitas coisas feias e más e algumas coisas boas, mas que (quase) todos tentaram fazer o seu melhor, embora por vezes estivessem enganados.
Ensinem às crianças que cada dia que passa estamos melhor, nos comportamos melhor, e que somos todos precisos para construir uma sociedade mais justa, mais feliz e mais saudável.
Ensinem às crianças que há homens e há mulheres e que ninguém pode fazer mal ou tratar mal os outros, em particular as crianças e as mulheres. Deixem as crianças falar!
Ensinem às crianças que há pessoas muito ricas e pessoas muito pobres, o que não é bom, nem é justo. Se os muito ricos forem um bocadinho menos ricos e os muito pobres um bocadinho menos pobres, todos passarão a ser um pouco mais felizes e saudáveis.
Ensinem às crianças quem somos.
Resultados escolares significativamente mais elevados.
Menor desigualdade sociocultural.
Redução significativa de comportamentos associais e criminosos.
Cidadãos mais conscientes de si mesmos, mais solidários, honestos e justos.
Adultos social e politicamente mais exigentes.
Um número elevado de cidadãos que fazem parte de comunidades socialmente ativas.
Adultos mais saudáveis.
Sociedade revitalizada, vocacionada para mudanças sociais e defesa de interesses comuns.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.
