A mão invisível de Messi
Há uma conspiração da FIFA para devolver o Mundial à Argentina ou apenas o velho favoritismo que costuma sorrir aos grandes? A Albiceleste chegou às meias-finais ajudada por uma decisão que partiu o jogo ao meio, mas confundir benefício arbitral com plano secreto é trocar análise por fan fiction. Espanha, França, Inglaterra e Argentina são, afinal, as quatro equipas mais fortes e mais bem preparadas deste Mundial.
Nesta altura de um Campeonato do Mundo, qualquer repetição transforma-se no filme de Zapruder ou, pelo menos, quase numa nova teoria sobre o assassinato de Kennedy. Um amarelo é uma pista. Um penálti, uma confissão. Um árbitro que leva a mão ao auricular já não está a ouvir o VAR: recebe instruções da cave secreta da FIFA, onde Gianni Infantino contempla um mapa, com Messi recortado a vermelho e uma seta grossa apontada para a final. Tudo muito cinematográfico.
A teoria é sedutora porque o futebol, tal como a política e as grandes famílias como as de O Padrinho, precisa de suspeitos, traições, filhos ressentidos e cunhados que sabem a verdade e a deitam cá para fora para ficarem com a herança ou com a liderança do clã. E Messi, aos 39 anos, campeão em título, última grande divindade em atividade e máquina global de audiências, é a personagem perfeita para ser acusada de ter o argumento escrito à sua medida. O problema é que uma boa história não é necessariamente verdadeira.
O vermelho que acendeu a teoria
A Argentina vencia a Suíça por 1-0, deixou-se empatar e parecia bastante menos imperial do que a propaganda exige. A Suíça estava por cima quando Breel Embolo caiu num duelo com Leandro Paredes. João Pinheiro, — que não se livrou das reclamações do Messi — mostrou primeiro o amarelo ao argentino; chamado pelo VAR ao abrigo da nova interpretação do “erro de identificação”, retirou-o a Paredes e mostrou-o a Embolo por simulação. Como o suíço já estava amarelado, foi expulso. O jogo mudou ali. A Argentina passou de acossada a dominante e venceu por 3-1, após prolongamento, com golos de Julián Álvarez e Lautaro Martínez.
Foi uma decisão estranha? Foi. Decisiva? Evidentemente. Beneficiou a Argentina? Nem vale a pena fingir que não. Jogadores e comentadores suíços falaram em dois critérios e acusaram o árbitro português de ter sido “forte contra os fracos”.
Mas daqui até concluir que Infantino telefonou para o VAR com a ordem “expulsem já o Embolo, que o........
