A geometria variável do combustível e o preço do pânico
Esta segunda-feira amanhece com o cheiro acre da gasolina misturado ao odor do medo. Nas redes sociais e nos grupos de vizinhança, a mensagem circula mais rápido do que qualquer carro na autoestrada: os combustíveis vão subir exponencialmente, a guerra no Médio Oriente fechou as torneiras e, pior, os postos estão a ficar vazios. O resultado é uma cena dantesca nas bombas, com filas que duplicam o tempo de abastecimento e cartazes manuscritos a anunciar “sem gasóleo” ou “sem gasolina” em locais onde, há vinte e quatro horas, a oferta era normal. Perante este cenário, impõe-se uma pergunta incómoda: estamos perante uma escassez real ou perante a fabricação de uma crise que serve interesses alheios aos do consumidor?
É indiscutível que o contexto geopolítico justifica provavelmente uma revisão dos preços. A escalada de tensões no Médio Oriente, com o risco de interrupção no Estreito de Ormuz, pressionou as cotações do petróleo Brent para patamares não vistos desde 2024. A mecânica de formação de preços em Portugal, que reflete semanalmente as médias internacionais, traduz inevitavelmente essa pressão externa em mais vinte e três cêntimos por litro no gasóleo e quase........
