Cuidar não é ocupar tempo
A recente proposta de criação da Prestação Social Única (PSU), que agregará várias prestações sociais num único apoio, trouxe consigo uma medida que tem gerado particular debate: a exigência de trabalho social ou atividade solidária por parte de alguns beneficiários da prestação. O objetivo declarado é promover a inclusão e a participação social. A intenção pode parecer, à primeira vista, razoável. Num país onde a escassez de recursos humanos afeta múltiplos setores, incluindo o social, a possibilidade de mobilizar mais pessoas para atividades comunitárias pode até surgir como uma solução tentadora. Mas é precisamente por conhecermos a realidade do setor social que importa questionar seriamente esta opção.
O problema não está na valorização da participação cívica nem na promoção da integração social. O problema está na mensagem implícita que esta medida transmite sobre o próprio trabalho social e sobre o cuidado. Ao sugerir que o apoio a crianças, idosos ou pessoas em situação de vulnerabilidade pode constituir uma atividade adequada para cumprir uma obrigação associada a uma prestação social, corre-se o risco de desvalorizar um setor que há décadas luta pela sua profissionalização e reconhecimento.
Quem conhece o funcionamento das instituições........
