Ser aliado do trumpismo não é ser aliado dos EUA
A decisão do Governo português de se afastar, quer no discurso, quer na ação, dos parceiros europeus para seguir o Presidente dos EUA numa guerra ilegal, estúpida, injusta e contra os seus interesses, vai ficar para a História como o exemplo perfeito de uma decisão de seguidismo irracional e medroso. Além das questões de segurança num mundo cada vez mais de poder multipolar, toda a nossa ausência por um lado e conivência por outro deixará Portugal numa posição bem distante daquele que tinha vindo a ser o propósito bem-sucedido nos últimos anos de uma maior influência no seio da União Europeia.
É importante fazer notar que a União Europeia não vai acordar um dia em 2028 ou 2030 para decretar que é a partir daí que se declara estrategicamente autónoma dos EUA. Tal como os investimentos europeus na defesa, isso trabalha-se e é gradual.
Depois das tarifas, da defesa intransigente dos interesses russos na guerra na Ucrânia, do documento de segurança que declara a União Europeia democrática e liberal como principal inimiga, à mercê de toda e qualquer tentativa declarada de interferência para que os seus congéneres extremistas europeus ganhem terreno e........
