Regresso ao Douro do Sul. Opinião de Gonçalo Ribeiro Telles
Há coisas que só se percebem bem quando faltam. Ao fim de mais de 30 verões, os últimos quatro não me levaram à Costa Vicentina. A vida em família, os filhos recém-nascidos, o calendário que deixou de ser só nosso, tudo isso foi decretando, sem que ninguém o dissesse em voz alta, que as férias tomassem outros rumos. Este ano, finalmente, regressei. Uma semana, no início do mês, entre Aljezur e Vila do Bispo, onde a costa se recolhe sobre si mesma e as praias parecem ainda hoje um segredo mal guardado.
Encontrei-a igual a sempre. Mas melhor.
E os filhos, agora, a descobrirem pela primeira vez o que eu descobri há décadas, como se o tempo se dobrasse sobre si mesmo por um instante.
É esse o milagre estranho dos lugares intocados: o tempo passa sobre........
