Vamos privatizar as praias (memórias do governo Bolsonaro)
Vamos privatizar as praias (memórias do governo Bolsonaro)
A memória é indispensável à democracia. Não apenas a memória dos ataques às instituições, do flerte com o golpe, da violência política e do negacionismo que marcaram o governo Bolsonaro. É preciso preservar também a memória de seu projeto econômico. Sem ela, velhas propostas podem reaparecer com nova embalagem, como se não tivessem sido testadas, e fracassado.
O governo Bolsonaro foi uma tragédia econômica. Paulo Guedes prometeu que a austeridade, as privatizações e a redução de direitos destravariam os investimentos e fariam o país crescer. Entre 2019 e 2022, porém, o PIB brasileiro avançou, em média, apenas 1,4% ao ano, contra 2,7% da economia mundial e 3,3% dos países em desenvolvimento, segundo o FMI. Bolsonaro abandonou a política de valorização do salário mínimo, o país voltou ao Mapa da Fome, a desigualdade aumentou, reformas reduziram direitos e privatizações dilapidaram o patrimônio público.
A proposta original para a Previdência revela a radicalidade desse projeto. Bolsonaro e Guedes queriam substituir o regime público de repartição, baseado na solidariedade entre gerações, pela capitalização individual. Cada trabalhador dependeria da própria capacidade de poupança e dos rendimentos do mercado financeiro. Isso esvaziaria o INSS, imporia um enorme custo de transição ao Estado e deixaria milhões de trabalhadores pobres ou informais sem uma aposentadoria digna. O Congresso barrou a capitalização e aprovou uma versão menos radical da........
