O que somos? Eduardo Halfon e as identidades que tiramos do guarda-roupa
"Cheguei a Tóquio disfarçado de árabe", diz o narrador. Após ser recebido com um cumprimento em árabe, o sujeito é levado para o hotel. Chegava ao país para participar de um congresso de escritores libaneses. "Nunca me haviam pedido para ser um escritor libanês", conta.
Estava acostumado a tirar do guarda-roupa diferentes identidades. Escritor judeu, escritor guatemalteco, escritor centro-americano, escritor estadunidense?. Escritor espanhol servia para aproveitar as vantagens do passaporte europeu. Aqui e ali, lhe atribuíram a carapuça de escritor polaco e de escritor francês.
Gosto bastante desse início de "Canción", romance de Eduardo Halfon publicado pela Mundaréu em 2022 (tradução de Joca Reiners Terron). O escritor poderia ser apresentado de quase todas essas formas - francês extrapola o razoável, acho.
Wálter Maierovitch
Toffoli no caso Master e a suprema vergonha Gonet
Sakamoto
Caso Master leva Ibaneis a lutar pelo foro privilegiado
Alicia Klein
Impune, Daniel Alves compra sua volta ao futebol
Nelson de Sá
Lula mira China após perda da liderança regional
Guatemalteco, Halfon integra uma família judaica originária do leste da Europa e da região do Levante, onde está o Líbano, terra de um dos seus avôs. Por conta das violências políticas tão caras à América Latina ao longo do século 20 - e não só -, mudou-se com seus pais para os Estados Unidos quando ainda era criança.
Quer ficar por dentro das fofocas do dia? Assista ao Splash Show, com Fernanda Soares. De segunda a sexta, no YT de Splash.
Por mais que não curta o termo, Halfon faz uma literatura permeada pela autoficção. Aproveita-se de episódios da própria vida para construir um personagem próximo de suas experiências e borrar a biografia com episódios deliberadamente inventados e imprecisões da memória.
Autoficção se tornou um........
