Novo presidente da CVM demite líderes que se opuseram a ele quando interino
Novo presidente da CVM demite líderes que se opuseram a ele quando interino
As demissões na alta cúpula da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) foram uma retaliação do novo presidente da autarquia, Otto Lobo, contra lideranças que o enfrentaram no período em que foi interino, segundo apurou a coluna. Entre os motivos do confronto estão tentativas de veto à contratação do seu próprio filho como estagiário, o encaminhamento de denúncias anônimas contra ele por assédio moral e mudanças em regras para flexibilizar o trabalho remoto, disseram fontes a par do assunto.
Em nota, a CVM afirmou que a renovação dos quadros de liderança é fruto de "uma análise cuidadosa que apontou a necessidade de melhor aproveitamento do pessoal". Disse ainda que "não procede a informação de que as alterações teriam se centrado em 'pessoas com as quais ele (Lobo) teve alguns embates quando era diretor interino'".
A indicação de Lobo para o comando do órgão regulador do mercado de capitais brasileiro foi controversa. Em votações anteriores na CVM, sua atuação foi considerada favorável aos interesses do grupo ligado ao banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após a revelação de fraudes financeiras. Na sabatina no Senado, ele negou as acusações.
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Antes de ser presidente, Lobo foi diretor na CVM de janeiro de 2022 a dezembro de 2025. No segundo semestre do ano passado, com a renúncia de João Paulo Nascimento, atuou também como presidente interino.
No dia em que assumiu como presidente da CVM, segunda-feira (8), Lobo fez uma demissão em massa no alto escalão da autarquia, algo que nunca ocorreu em transições anteriores no órgão. Muitos dos que saíram estavam no cargo havia duas ou até três gestões.
As mudanças promovidas por Lobo não afetam áreas ligadas à supervisão do mercado. Estão concentradas nas áreas de gestão e a administração interna da CVM e acontecem em um momento em que a autarquia pode ter o seu orçamento ampliado em até R$ 700 milhões por uma decisão recente do Supremo.
A interlocutores, Lobo tem dito que quer lideranças com "sangue nos olhos" para fazer o "negócio acontecer" e "não ficar no marasmo" quando o novo patamar orçamentário for liberado. Dentre os motivos da insatisfação com os líderes na área de gestão estaria a demora para efetivar a mudança do escritório de São Paulo — processo que teria levado oito meses.
Foram dispensados das funções comissionadas seis superintendentes, além do chefe da SGE (Superintendência Geral) e o chefe de departamento de ASA (Análise Econômica), que tem status de superintendente. Houve ainda uma nona exoneração, na área de imprensa, única dentre os........
