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Intoxicação por agrotóxico banido na Europa salta 1100% em 8 anos no Brasil

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31.07.2026

Intoxicação por agrotóxico banido na Europa salta 1100% em 8 anos no Brasil

Um agrotóxico proibido na Europa vem ampliando sua presença no mercado brasileiro, desde que autoridades nacionais baniram oito anos atrás outro pesticida da mesma família química por riscos associados a mutações genéticas e à doença de Parkinson.

O crescente uso da substância alternativa, no entanto, também está ligado à proliferação de casos de intoxicação. Entre 2018 e 2025, foram 250 registros, com ao menos 40 mortes no país — seis por acidente e 34 por suicídios mediante ingestão do agrotóxico.

É o que revelam dados oficiais do SUS (Sistema Único de Saúde), compilados por uma investigação conjunta da Repórter Brasil e da organização suíça Public Eye.

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Herbicida amplamente utilizado no controle de plantas daninhas em lavouras, o paraquate foi proibido no Brasil em 2017, por potenciais impactos à saúde humana. Desde então, um "primo" seu, o diquate, teve seu uso multiplicado por dez até 2024, de acordo com monitoramento do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).

Atualmente, apenas um terço das dez mil toneladas utilizadas por aqui é fabricado no país. A maioria é importada, incluindo o Reglone. Produzido pela multinacional Syngenta, é a marca comercial mais conhecida — e também responsável por ao menos 65% das intoxicações.

Informações obtidas pela Public Eye revelam que, em 2023, a Syngenta enviou mais da metade da produção de Reglone feita na Inglaterra para o Brasil.

O diquate é proibido tanto na Inglaterra como na Suíça, sede da Syngenta, desde que uma reavaliação da substância feita na União Europeia em 2018 identificou "um alto risco para os trabalhadores, transeuntes e moradores" de áreas próximas a lavouras. Parte do Reglone comercializado no Brasil é fabricado em unidades da Syngenta na China.

Por aqui, onde o uso do diquate é autorizado, os casos de intoxicação vêm chamando a atenção de autoridades. Em 2018, foram seis. No ano passado, 71 — um crescimento de 1.100%.

Pode não parecer muito diante do universo de mais de 11 mil episódios de contaminação por agrotóxicos reportados no Brasil em 2025. A velocidade com que os registros se multiplicam, porém, acende um alerta.

"Em 2025, atendemos 17 casos relacionados ao diquate no Rio Grande do Sul, mas só nesses primeiros meses de 2026 já temos 15 casos registrados", exemplifica a médica toxicologista Bruna Telles Scola.

Ela trabalha no Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul (CIT-RS) — um serviço público que auxilia, por telefone, profissionais da saúde e cidadãos comuns a agirem contra intoxicações por agrotóxicos ou por animais peçonhentos.

Em posicionamento enviado à Repórter Brasil (leia a íntegra aqui), a Syngenta reforça que o diquate "é um herbicida registrado no Brasil" e afirma "que seu uso é seguro nas condições aprovadas pelas autoridades regulatórias, sempre que seguidas as instruções contidas na bula e no receituário agronômico".

Rio Grande do Sul liderou ranking de intoxicações por diquate no ano passado

O Rio Grande do Sul foi a unidade da federação com o maior volume de diquate vendido em 2024 e a campeã em episódios de intoxicação em 2025 — dois terminaram em morte.

Uma das vítimas foi o agricultor Nelson Castoldi, de 80 anos. Ele teve contato com o Reglone na lavoura de soja da família, no município de Guaporé, na Serra Gaúcha.

"Esse veneno vem em bombonas de 20 litros, mas, para não precisar carregar o galão todo, separamos o que era necessário para a aplicação e colocamos dentro de uma garrafa pet de Coca-Cola", recorda o filho, Ivan André Castoldi.

O diquate é um líquido marrom e inodoro. Sob o calor escaldante de outubro, o agricultor se confundiu. "Ele botou na boca pensando que era refrigerante. Disse que estava com sede", lamenta Ivan. "Quando sentiu o gosto, cuspiu fora".

Dois dias depois, Nelson morreu no hospital. O laudo do........

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