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Príons: por que a doença de Lito Sousa é comparável a um desastre aéreo

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26.08.2026

Príons: por que a doença de Lito Sousa é comparável a um desastre aéreo

"Avião não cai, é derrubado", costuma repetir o influenciador Lito Sousa para ensinar os medrosos de voar, como eu, que um acidente com qualquer aeronave é uma fatalidade, resultado de uma série de eventos que vão de falhas mecânicas a decisões erradas somando-se quase ao mesmo tempo. Desse jeito, ele me convenceu que viajar de avião é absolutamente seguro. Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), no mundo inteiro aconteceu apenas 1,3 acidente aéreo em cada 1 milhão de voos em 2025. E olha que a maioria nem foi queda, mas apenas sustos, como um pouso mais duro.

Nosso cérebro tampouco despenca do nada. Tem diversos mecanismos de segurança. Aliás, o "comandante" do organismo consegue se desviar de zonas de turbulência, a ponto de nenhuma luz do painel se acender quando uma proteína príon celular (conhecida também pela sigla PrPC), se dobra de um jeito esquisito, ficando deformada e tornando-se o estopim da doença de Creutzfeldt-Jakob, diagnosticada em Lito Sousa.

Preso na membrana externa do neurônio, como se estivesse pendurada do lado de fora, o príon pode se alterar por razões genéticas, vindo retorcido "de fábrica" em quase 15% dos pacientes que desenvolvem o problema neurodegenerativo. Em um número ínfimo de casos, que mal entram na conta, o príon anormal foi adquirido por meio do consumo de carne ou por instrumentos cirúrgicos contaminados.

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O fato é que, em cerca de 85%, a doença de Creutzfeldt-Jakob é esporádica. Uma fatalidade também, resultado de uma série de eventos e falhas que levariam a essa transformação. Há apenas um ou dois casos em 1 milhão de pessoas a cada ano.

Quais seriam esses eventos? "Não sabemos ao certo", assume Jerson Lima Silva, um dos primeiros cientistas do país a investigar esses mecanismos, no Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Prestes a se tornar professor emérito da instituição, mas seguindo como membro da diretoria do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino, o ex-presidente da Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do........

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