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Em 2026, precisamos superar os tempos de surdez coletiva

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07.01.2026

Em algum momento das últimas décadas, a música, por exemplo, deixou de ser o prato principal para virar guarnição. Lavamos louça, dirigimos, malhamos e trabalhamos com fones no ouvido, mas raramente paramos para, de fato, escutar. A canção virou ruído de fundo, trilha sonora para a produtividade ou para a distração. É contra essa "surdez funcional" que o filósofo Dodô Azevedo levanta a agulha de sua vitrola na criação do projeto Disconcertos, no Rio de Janeiro.

A premissa é, aparentemente, simples: sentar e ouvir um disco. Mas, na prática, o que Dodô propõe é uma espécie de alquimia reversa: transformar emoções em conhecimento. Para ele, existem duas formas de produzir saber: a academia, que pode ser elitista e excludente, e a palavra cantada, que é generosa e democrática.

"Minha iniciação em filosofia foi ainda muito menino, ouvindo Gilberto Gil explicando Heráclito e Tao Te Ching ao cantar que 'tudo permanecerá do jeito que tem sido, transcorrendo, transformando'", conta Dodô. A ponte que ele constrói é fascinante e quebra a hierarquia do saber: Bob........

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