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Professor compara aluno negro a macaco durante aula em Maceió e é demitido

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05.03.2026

Professor compara aluno negro a macaco durante aula em Maceió e é demitido

Um professor de matemática de um colégio particular de Maceió foi demitido após comparar um aluno negro a um macaco durante uma aula. O caso ocorreu em 12 de fevereiro, mas só foi denunciado ontem à polícia. O nome do suspeito não foi revelado.

O adolescente vítima de racismo, de 13 anos, foi ouvido ontem pela delegada Rebecca Cordeiro, da Delegacia de Vulneráveis, que abriu inquérito para apurar os crimes de injúria racial e discriminação.

A cena foi gravada por uma câmera de segurança do Colégio Fantástico, no bairro do Benedito Bentes. No vídeo, é possível ver que um aluno está com o caderno aberto embaixo da carteira com a imagem de um macaco embaixo.

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Em determinado momento, ele puxa esse caderno e chama o professor. Segundo o pai da vítima, esse colega teria perguntado ao professor com quem o animal se parecia, e ele aponta então para o aluno no fim da sala, que fica atônico e sério, enquanto outros colegas riem.

O advogado do adolescente, Alberto Jorge Ferreira, afirma que ele chegou em casa chorando e contou o episódio ao pai, que no dia seguinte procurou a escola. "Ele está muito abalado", diz.

"No início do vídeo, dá pra ver que ele estava feliz da vida, conversando com um amigo ao lado dele. Depois, veio o silêncio fatal, nenhuma palavra mais no dia. Ele só voltou às aulas após o professor ser afastado", conta.

Alberto diz que vai entrar com ação na Justiça para pedir indenização e procurar a escola para propor medidas reparatórias, como um grande evento para conscientizar pais e alunos sobre o racismo.

Mesmo após voltar às aulas, ele sofreu muito bullying, os alunos comentando. Ele me disse: 'As pessoas olhavam pra mim e lembravam da figura do caderno'. Os pais estão analisando se vão mantê-lo na escola.Alberto Jorge, advogado do adolescente

Em nota, o Colégio Fantástico manifestou "seu repúdio a qualquer ato de racismo, discriminacão ou preconceito" e disse que são "condutas incompatíveis com seus valores e com o ambiente escolar que busca assegurar".

"Em relação ao episódio ocorrido em sala de aula, o colégio adotou providências imediatas e medidas institucionais cabíveis. O profissional foi afastado e não integra mais o quadro de colaboradores".

O advogado Pedro Gomes, da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB-AL (Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas), afirma que casos assim são comuns. "Infelizmente, nos últimos anos, recebemos várias denúncias de racismo ocorridas dentro de escolas particulares e entendemos que cada caso não é isolado".

"É necessária uma política por parte das escolas particulares de Maceió que seja efetivamente antirracista. Nesse caso, ficamos ainda mais estarrecidos pelo fato de o agente ter sido um educador. Não é possível que alguém que deveria educar nossas crianças e adolescentes seja o causador de um crime de racismo. Iremos cobrar as autoridades para rápida resolução do caso e punição exemplar dos envolvidos", diz.

Para além disso, iremos cobrar também das escolas particulares de Maceió que façam ações efetivas para dar letramento racial aos alunos, professores e demais funcionários e ter protocolos específicos para a punição de todos os que se envolverem em crimes raciais dentro do ambiente escolar.Pedro Gomes, da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB-AL

Racismo x injúria racial

A Lei de Racismo, de 1989, engloba "os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". O crime ocorre quando há uma discriminação generalizada contra um coletivo de pessoas. Exemplo disso seria impedir um grupo de acessar um local em decorrência da sua raça, etnia ou religião.

O autor de crime de racismo pode ter uma punição de 1 a 5 anos de prisão. Trata-se de crime inafiançável e não prescreve. Ou seja: no caso de quem está sendo julgado, não é possível pagar fiança; para a vítima, não há prazo para denunciar.

Já a injúria racial consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem a fim de atacar a dignidade de alguém de forma individual. Um exemplo de injúria racial é xingar um negro de forma pejorativa utilizando uma palavra relacionada à raça.

Você pode procurar delegacias especializadas, como, por exemplo, o Decradi em São Paulo e o Geacri em Goiás, ou ainda fazer um boletim de ocorrência em qualquer delegacia física ou online.

Caso seja um flagrante, ligue para o 190. Por telefone você também pode ligar no Disque 100 ou no Disque Denúncia da sua cidade.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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