A vergonha de Portugal
Ao ler um texto da jornalista e escritora Catarina Gomes, no Público, sobre «a história dos filhos que os militares portugueses fizeram com mulheres guineenses, angolanas e moçambicanas durante a Guerra Colonial (1961-1974) e que deixaram para trás», pensei em como a vida é injusta e que cada vez tenho menos paciência para abéculas que adoram entrar em comboios do politicamente correto e que nos querem levar ao abismo. Catarina conta a história de Fernando Hedgar da Silva, que conheceu, com os seus colegas do jornal, há 13 anos, quando foram à Guiné-Bissau. Fernando sabia que o seu pai era português, e tudo tentou para o conhecer, mas em vão, até porque o único nome que tinha era o de Furriel, pois foi essa a informação que a mãe lhe dera. Catarina teve conhecimento de que Fernando morreu há um ano, e explicou o que sentiu: «A sua morte pôs-me a pensar no que conseguiu e no que não conseguiu. Foi dele a ideia de dar forma a uma espécie de família informal, criando, em Bissau, a Associação Filho de Tuga, da qual era presidente, onde todos se dizem sentir irmãos, filhos do mesmo pai: o longínquo Portugal. ‘Filho de tuga’ é o nome colectivo pelo qual continuam até hoje a ser conhecidos na Guiné-Bissau; por vezes, há até quem os chame de ‘restos de........
