Uma máquina nunca diz não
Era a terceira vez que a minha filha chamava o robô.
O robô atravessou a cozinha com um zumbido afinado, serviu o copo com a precisão de quem não falha uma gota e entregou-lho.
- Diz por favor - disse eu.
A pergunta era razoável. O robô não se tinha ofendido, não estava cansado, nem tinha interrompido o livro que estava a ler na sala para ir buscar a água. Não precisava de gratidão, reconhecimento ou respeito. Fiquei sem resposta.
Naturalmente, este episódio ainda não aconteceu, mas talvez não falte assim tanto. Os robôs humanoides estão a sair das demonstrações onde correm, dançam e dão cambalhotas para tentar algo menos espetacular e muito mais importante: serem úteis.
Quando isso acontecer, discutiremos se são inteligentes, seguros e autónomos. Mas talvez uma das perguntas mais interessantes seja mais simples: devemos dizer ‘por favor’ a uma máquina? À primeira vista, não.
A pergunta não é inteiramente futurista. Já há quem agradeça ao ChatGPT e quem ache absurdo fazê-lo. A diferença é que, amanhã, a........
