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Narcolanchas no Tejo: a velha novidade

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31.08.2026

A presença de embarcações de alta velocidade associadas ao narcotráfico no estuário do Tejo não constitui uma novidade criminal. Estas embarcações têm vindo, nos últimos anos, a desempenhar um papel relevante nas redes logísticas do tráfico marítimo de droga. O que parece estar a mudar é a escala, a sofisticação logística e, sobretudo, a integração destes meios em cadeias de tráfico transnacionais que articulam operações marítimas, portuárias e terrestres.

Estima-se que possam circular diariamente no estuário do Tejo duas a três embarcações deste tipo, frequentemente associadas a funções de apoio logístico a operações de narcotráfico desenvolvidas em alto-mar. Mais do que transportar diretamente o estupefaciente, podem assegurar combustível, mantimentos e outros recursos indispensáveis à permanência prolongada de meios marítimos no Atlântico.

Uma operação da Polícia Marítima, realizada em maio de 2026, identificou precisamente uma embarcação de alta velocidade que transportava mais de 6,5 toneladas de combustível e mantimentos destinados a apoiar operações a centenas de milhas da costa, entre os demais detidos, um elemento de nacionalidade colombiana. E este é apenas o lado visível da realidade: pois fora dos holofotes ficam necessariamente sem demonstrar as inúmeras ações de fiscalização e perseguição sem resultado operacional, incluindo situações em que estas embarcações conseguem escapar.

Ainda em 2024, a mesma Polícia Marítima, através da sua Divisão de Análise e Informações Policiais, em articulação com o Serviço de Informações e Segurança (SIS) e sob coordenação da Polícia Judiciária (PJ), identificou um número indeterminado de locais utilizados para o desembarque de embarcações de alta velocidade no estuário do Tejo, numa abordagem assente numa lógica de análise preditiva. Contudo, apesar da identificação desses locais, esta informação não terá, até hoje, produzido resultados operacionais concretos no Tejo e no mar.

O fenómeno deve, por isso, ser analisado como um problema de logística criminal marítima. As organizações criminosas modernas tendem a separar funções. Uma embarcação pode transportar a droga, outra fornecer combustível, uma terceira efetuar uma transferência e outras estruturas assegurar a ligação à terra. Esta fragmentação não é casual: reduz a exposição de cada elemento da operação, dificulta a deteção e torna mais complexa a reconstrução da estrutura criminosa.

Por detrás de uma lancha rápida pode existir uma cadeia muito mais extensa, composta por financiadores, fornecedores de combustível, construtores ou adaptadores de embarcações, tripulações, responsáveis pelas comunicações, intermediários, armazenistas e........

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