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Dia Mundial da Rádio

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16.02.2026

Celebrou-se recentemente o “Dia Mundial da Rádio”.

Não é a primeira vez que falamos da importância da Rádio, nas nossas vidas.

Antigamente, o rádio era o altar da casa. Recentemente, em muitas casas que ficaram sem luz, e telecomunicações, devido às tempestades, foi através da Rádio que as populações se mantiveram informadas.

Na minha infância, os locutores tinham vozes tão graves que pareciam vir do centro da Terra, sempre impecáveis, num português corretíssimo, tão diferente do que se ouve hoje.

A “magia” de esperar pela nossa música favorita foi substituída pelo algoritmo. Se antes ligávamos para o locutor e esperávamos três horas para ouvir um sucesso (que ele invariavelmente cortava no meio), hoje no Spotify é tudo imediato.

Ouvíamos os “Parodiantes de Lisboa” ou a “Simplesmente Maria” com a reverência de quem assiste a uma missa. Agora, é tudo “playlist” e pouco muda de rádio para rádio.

Já te disse que a exposição “Retratos Contados de António Sala” vai estar patente na Cidadela de Cascais, ao longo do mês de março?

Recentemente, o António contou-me a história da Maria Vitória, que mora numa aldeia de Santa Comba Dão. Tem uma doença rara que levou à amputação dos braços e das pernas. Um dia escreveu-lhe a pedir que os ouvintes lhe mandassem postais ilustrados das suas terras, para ela poder conhecer Portugal. Durante dois meses, recebia 800/900 postais por dia de todos os pontos do país, imagina o poder da rádio. O seu maior sonho era ter uma janela no quarto para ver as pessoas passar, pois dormia num sótão. Aos microfones, o António apelou ao presidente da Câmara de Santa Comba Dão, e aos construtores civis da região, e o terreno apareceu, os materiais apareceram… Hoje, a Maria Vitória tem uma casinha nova e um quarto com janela. Na mesa de cabeceira tem 3 molduras. Uma com o Papa Francisco, outra com o Marcelo e uma outra com uma foto do António Sala.

Como sabes, a rádio tem uma importância fundamental na minha vida. Sem rádio não vivia.

A rádio desempenha um papel fundamental na vida dos mais velhos, funcionando como uma companhia constante que combate a solidão, traz informações e estimula a memória. Para muitos idosos, é um meio de comunicação de fácil acesso e grande credibilidade, facilitando a conexão com o mundo exterior e reduzindo o sentimento de isolamento social.

Não, não quero falar (nem pensar) na Ingrid, nem no Leonardo, nem nenhuma das sucessivas tempestades que nos atacam. Por isso decidi recordar aqui uma velha história, do tempo em que o meu filho e os meus netos viviam em Inglaterra e por isso eu ia lá muitas vezes. Foi, precisamente, na rádio que a ouvi e acho-a uma maravilha.

Um dia o padre da Igreja de São Paulo, em Londres, chamou o sacristão para ele assinar o papel do contrato, que ainda não tinha sido feito. Mas o sacristão disse: “Desculpe, mas eu não sei ler nem escrever”.

O padre nem queria acreditar no que ouvia e despediu-o.

O homem, começou a andar por ali, sem saber o que fazer à vida, muito triste, e apeteceu-lhe um cigarro. Mas andou, andou e não encontrou por ali nenhuma tabacaria. Então, com algumas economias que ainda tinha, e um dinheiro que pediu emprestado a alguns amigos, abriu uma tabacaria. O sucesso foi tão grande que resolveu abrir outra. E mais outra. E mais outra. E em breve tinha um empório de lojas.

Um dia o Banco chama-o.

O gerente diz-lhe que é impossível ter toda aquela fortuna parada, tinha de investir, fazer qualquer coisa.

“Eu não sei ler nem escrever”!

O homem nem queria acreditar.

“O senhor chegou onde chegou, tem a riqueza que tem sem saber ler nem escrever? Imagine o que o senhor seria se soubesse ler e escrever!”

“Seria sacristão da Igreja de São Paulo”.

Dá um beijo ao António Sala, de quem eu gosto muito!


© SOL