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A revolução de AI chegou – e não estamos preparados

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16.02.2026

Nem todas as revoluções são políticas, mas todas elas têm implicações políticas. A revolução agrícola permitiu a transição de sociedades nómadas, caçadoras-recoletoras, para sociedades sedentárias e agrícolas. Dessa transformação nasceram as cidades, a propriedade privada, a divisão do trabalho e formas organizadas de poder – aquilo a que hoje chamamos política.

A revolução industrial permitiu o salto seguinte: a passagem de uma economia agrícola e quase estagnada para uma economia industrial capaz de crescimento sustentado. Durante milénios, a riqueza per capita variou pouco. A partir do século XVIII, pela primeira vez na história, a produção e o rendimento entram numa trajetória de crescimento exponencial. Há crises e recessões, mas a tendência deixa de ser a estagnação e passa a ser a expansão.

Seguiram-se outras revoluções estruturais: a imprensa, que democratizou o acesso ao conhecimento; a revolução científica, que instituiu o método e a evidência empírica. Mais recentemente, a revolução digital aproximou geografias (globalizou-as), desmaterializou serviços e criou uma economia assente na informação. Hoje, as economias mais desenvolvidas vivem maioritariamente do setor terciário, sendo que uma parte crescente desses serviços é tecnológica. Basta olhar para as maiores empresas do mundo: a maioria são empresas tecnológicas, e entre elas encontram-se gigantes de semicondutores que alimentam toda a infraestrutura digital.

Entretanto chegou a revolução da Inteligência Artificial. Não nasceu agora, embora tenha sido amplificada pela AI generativa que sustenta ferramentas como o ChatGPT. A AI tem pelo........

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