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Conservadoras de quê?

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A circunstância de servir os portugueses, no Parlamento Europeu, há varios anos, torna as minhas opções políticas muito transparentes. Tenho uma tendência conservadora. Sou do PPD/PSD e pertenço a uma família política europeia democrata-cristã. É com essa lente que leio o Movimento Mulheres Conservadoras. E é a partir daí que me surge uma dúvida genuína: o que é que isto tem de conservador?

A pergunta não é uma armadilha retórica. É filosófica. Edmund Burke, passou a vida a desconfiar exatamente disto: ideias abstratas transformadas em programa, agendas construídas sobre o que a sociedade deveria ser em vez do que é. Roger Scruton dizia o mesmo de outra forma: o conservadorismo é uma disposição, não uma ideologia. É o amor pelo que existe, a resistência à pressa de mudar, o respeito pelo que as instituições aprenderam ao longo do tempo. Oakeshott explicava que ser conservador é preferir o familiar ao desconhecido, o experimentado ao teórico. Sob este critério, um movimento conservador é uma contradição nos termos. Os movimentos têm programas de disrupção, importam agendas de mudança, fabricam identidades ‘novas’. É precisamente o que o conservadorismo genuíno rejeita.

Mas a contradição do........

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