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Dolce fare niente

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30.07.2026

Um pequeno luxo que quase desaprendeu de existir. Não custa dinheiro, não exige reservas, não depende de tecnologia e, ainda assim, tornou-se raro. Os italianos deram-lhe um nome que soa a música, Dolce Fare Niente. Vivemos numa época em que descansar parece precisar de justificação. Se estamos sentados numa esplanada sem olhar para o telemóvel, alguém pergunta se está tudo bem. Se tiramos uma tarde para caminhar sem destino, parece que desperdiçámos tempo. Se ficamos simplesmente a contemplar o mar, há sempre quem ache que podíamos estar a responder a e-mails, a fazer exercício ou a aprender uma nova competência. Lembro-me de uma vez, numa das minhas viagens a Espanha, de um amigo local gabar-se de ter muito tempo livre. Por cá escondemos com vergonha.

A produtividade tornou-se uma religião silenciosa. O valor de uma pessoa mede-se, muitas vezes, pela quantidade de tarefas que consegue encaixar num único dia. Dormimos menos para........

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