É António Barreto um defensor da Teoria da Substituição?
Imagine o leitor que ouvia uma conversa de alguém que criticava uma determinada política caótica e irresponsável que provocou, com péssimos resultados, uma transformação sociológica, demográfica e económica profunda num país. Essa crítica referia que, no espaço de pouco mais de uma década, saíram desse país de dez milhões de habitantes cerca de um milhão de pessoas, na sua maioria população ativa e qualificada, em cuja formação o país investiu durante anos recursos públicos, formação escolar e profissional, técnica e científica, e que nesse mesmo período entraram, numa efetiva substituição, um milhão e meio de pessoas, talvez mais, provenientes de culturas totalmente diferentes, sem o mesmo tipo de capital social e profissional.
Estaremos perante as palavras de um extremista de direita, um fascista reacionário e defensor, claro, da famosa teoria da substituição? Muitas figuras da cena política e mediática não hesitariam e afirmariam que sim. Ora, quem fez essa crítica, e com detalhe, nas comemoração dos 10 anos do ECO, foi uma figura fundamental da esquerda portuguesa: António Barreto. Do seu lado tem o melhor antídoto contra o mau uso da ideologia: os factos.
Entre 2011 e 2024, Portugal viveu uma das maiores vagas emigratórias da sua história recente. Segundo o Observatório da Emigração, houve anos com números de saídas que chegam aos 100.000. O stock de emigrantes portugueses no estrangeiro situa-se atualmente em torno de 1,8 milhões de pessoas. Em paralelo, o número de estrangeiros residentes em Portugal disparou. De acordo com o Relatório de Migrações e Asilo da AIMA, o país registava 1.543.697 cidadãos estrangeiros no final de 2024, um aumento muito significativo face aos cerca de 436 mil de 2011.
Esta dinâmica espelha um nítido paradoxo assimétrico nos fluxos migratórios nacionais. Embora se observe uma ligeira desaceleração recente nos volumes de saída, persiste um contraste acentuado no perfil dos fluxos: a emigração continua a drenar uma quota significativa de capital humano altamente qualificado — designadamente médicos, engenheiros, investigadores, professores e quadros técnicos superiores. Em contrapartida, os indicadores do INE e do IEFP revelam que a imigração se concentra maioritariamente em setores de forte intensidade laboral e baixa produtividade média, tais como a agricultura, a construção civil, a logística e o canal HORECA (hotelaria e restauração)
A composição destes fluxos é determinante pela informação que nos dá para uma análise fundamentada.
Pergunta-se, então: fica o país a ganhar ou a perder? O que ganhou a economia portuguesa com esta mudança? Inovação, maior produtividade, mais........
