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A semana

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29.08.2026

A dívida pública norte-americana

Com uma decisão nada ortodoxa, Scott Bessent (Secretário do Tesouro) resolveu comprar a própria dívida norte-americana, procurando evitar uma venda descontrolada dos títulos do Tesouro.

Por enquanto, a medida parece ter acalmado os mercados, mas está longe ser uma solução a médio, longo prazo. Os mercados assustaram-se, e continuam apreensivos, porque a trajetória da dívida soberana norte-americana está na direção errada. Está a aumentar (cerca de 130% do PIB) e não a diminuir; veja-se o défice de 2015 a 6% do PIB. Além disso, a guerra no Golfo aumenta a despesa pública. Ou seja, a um problema fiscal, juntou-se um problema geopolítico.

Para resolver o problema fiscal, Bessent precisa de colocar a política norte-americana na trajetória certa. Terá que apresentar um plano convincente de diminuição da dívida pública e do défice. Há, no entanto, uma questão importante: conseguirá o Tesouro americano diminuir a despesa pública sem o fim do conflito no Golfo? O problema é que o conflito no Golfo parece longe do fim. E o próprio Bessent anunciou uma «guerra económica» contra o Irão propondo o aumento das sanções diretas e secundárias aos países que têm relações económicas com o Irão.

No curto prazo, poderá haver outro problema. De certo modo, comprando a própria dívida americana, Bessent está a tentar substituir a Reserva Federal, e tentou baixar a inflação, descendo os custos da dívida. Se a inflação nos Estados Unidos não baixar, a estratégia de Bessent pode obrigar a Reserva Federal a aumentar as taxas de juro, o que Trump não quer. Mas se a Reserva Federal não mostrar aos mercados que controla a inflação, então haverá uma crise financeira muito sério nos Estados Unidos, na Europa e no mundo.

O bloqueio norte-americano está a funcionar

Tem sido pouco noticiado em Portugal, mas o bloqueio norte-americano aos portos iranianos e a escolta a navios no estrito de Ormuz começa a funcionar. Aumentou o número de navios dos países árabes do Golfo a passarem pelo estreito, transportando petróleo. Simultaneamente, nas últimas semanas, a exportação de petróleo iraniano desceu para quase zero. Isto significa que o poder militar e naval iraniano está muito enfraquecido e que a situação económica no Irão, que já estava muito complicada, continua a piorar.

É provável que possa haver novas negociações entre o Irão e os Estados Unidos em breve. O regime iraniano precisa de ganhar tempo, e Trump poderia dizer que a «guerra económica» está a funcionar, e também quer um acordo antes das eleições intercalares.

Mas não é só o Irão que está numa posição vulnerável. As operações militares no Golfo custam aos norte americanos........

© SOL