O caminho das energias renováveis é inevitável
O sol e o vento são coisas que não nos faltam e a atual crise mostra mais uma vez que o caminho das renováveis é inevitável.
O Governo anunciou que iria incentivar a instalação de painéis solares para autoconsumo, mas ainda é apenas um anúncio. Há também soluções de aproveitamento do vento, em pequenas instalações, que poderão ser uma excelente alternativa.
Esta solução, em casas isoladas ou mesmo em condomínios de cidade, permite uma poupança muito significativa no apertado orçamento das famílias. Mas é preciso ir mais longe e olhar para este projeto de ter mais energia gerada em cada uma das nossas casas a funcionar em pleno.
Quem produz energia elétrica pode vender os excedentes à rede, mas o processo é complexo e muito pouco lucrativo. A solução de grande parte destes pequenos produtores é entregar de ‘borla’ aos distribuidores os excedentes da produção. Criar um sistema mais simples e verdadeiramente interessante de troca direta de energia, numa base praticamente zero, poderá ser uma solução funcional. No fundo, quando entregamos à rede a eletricidade que produzimos em excesso, abrimos um crédito de valor económico idêntico. Isto, só por si, seria um brutal incentivo para esta necessária mudança, e garante às famílias que a fatura da luz será muito mais pequena e constante. Em complemento, seria interessante e importante criar um sistema de incentivos à compra de baterias de forma a termos verdadeiramente casas resilientes e capazes de ter uma autonomia fundamental em momentos críticos, como aqueles que temos vivido. No fundo, é preciso pensar na proteção das famílias nos momentos de quebra de fornecimento de luz e construir em simultâneo uma base de poupança que garanta uma almofada para as flutuações de preço que nos ameaçam constantemente com um desequilíbrio das contas lá de casa.
Portugal tem todas as condições para fazer esta mudança, mas a resistência dos distribuidores de energia será certamente grande. Significa menos negócio, mas para todos nós contribuintes seria uma excelente fórmula de rentabilizar o espaço do telhado e de deixar de gastar tanto dinheiro na conta da luz. Cabe ao Governo pensar nos dez milhões de portugueses e deixar em segundo plano os interesses das empresas privadas que somam anualmente milhões de lucros na venda de energia. Sei que será um equilíbrio difícil, mas é de todo fundamental num país com as características do nosso.
Já existem inúmeros planos de apoio para a compra destes equipamentos, mas é preciso simplificar e incentivar as empresas a terem soluções mais ágeis, que permitam o que aqui defendo: casas resilientes e uma efetiva poupança com soluções de vento e sol, em complemento com baterias. O ideal é ter também em breve essa solução de entrega à rede a troco de um crédito justo e a verdadeiros valores de mercado. Tudo simples sem papeladas e processos burocráticos.
A instabilidade no mercado petrolífero é mais um incentivo à compra de carros elétricos e à mudança de equipamentos a gás. Cada família pensa no que pode fazer para não se afundar em contas e lá vai tentando atenuar os efeitos de cada crise. Mas é preciso uma ajuda enquadrada para as decisões que se assumem nestes dias de medo, e que sejam mesmo as melhores e não signifiquem o começo de mais um problema. As opções solares e eólicas têm vindo a descer significativamente de preço, mas há no mercado, nomeadamente no asiático, muito mais opções com grande qualidade e inovação. É preciso ir buscar essas empresas para o nosso mercado e ter pacotes claros e económicos à medida de cada família. Esta é também uma oportunidade dupla para o Governo: ajudar verdadeiramente as famílias e incentivar o crescimento da economia com estas novas soluções.
Este é um momento decisivo para o nosso mundo, que podemos aproveitar também para mudar o mundinho onde temos de viver todos os dias, com um orçamento cada vez mais apertado.
