A revolução que comeu os seus pais
A repressão teocrática que se seguiu à chegada ao poder de Ruhollah Khomeini engoliu a esquerda iraniana. Tendo desejado salvar o Irão da influência ‘tóxica’ do Ocidente, a ‘Gharbzadegi’, e querendo «devolver o Irão a si mesmo» e à «sua essência xiita» – a esquerda iraniana classificou a democracia como um conceito burguês e ocidental – a esquerda, incluindo o partido comunista Tudeh e a Organização Mojahedin do Povo, apoiaria em 1979 a realização de um referendo sobre a criação da República Islâmica. O então primeiro-ministro do Irão, Mehdi Bazargan, sugeriu acrescentar a opção de uma «República Islâmica Democrática». Khomeini não ficou impressionado, dizendo-lhe: «O Islão não precisa de adjetivos como democrático... a palavra Islão é perfeita».
Khomeini rapidamente estabeleceu um Estado no qual o parlamento estava subordinado a uma «assembleia de peritos», na sua maioria clérigos, e, em última instância, ao líder supremo vitalício – ou seja, o próprio ayatollah Khomeini. Em seguida, ele começou a consolidar o seu governo às custas dos seus oponentes. Criou um governo paralelo, composto pela Guarda........
