Menos voltas, mais reviravoltas
Primeiro chegaram as tampas de plástico presas às garrafas, agora surge o sistema Voltas, que promete incentivar a devolução de embalagens através de um sistema de depósito.
A ideia parece irrepreensível: devolver embalagens para aumentar a reciclagem e ainda ganhar uns cêntimos.
Mas será legítimo vender esta medida como uma resposta à crise ambiental?
Vivemos numa época em que os governos parecem preferir medidas que produzam boas manchetes em vez de reformas que produzam resultados.
O sistema Voltas insere-se nessa lógica. É uma iniciativa que pode melhorar a recolha de algumas embalagens, mas que não altera o essencial: continuamos a fabricar, consumir e descartar plástico em quantidades absurdas.
O discurso político insiste na reciclagem porque é uma solução confortável. Não obriga a enfrentar os grandes interesses económicos nem a questionar um modelo de consumo assente no descartável. No fundo, diz-se ao cidadão: "devolva a garrafa e faça a sua parte". Entretanto, milhões de novas garrafas continuam a sair diariamente das fábricas para regressarem, pouco tempo depois, ao circuito dos resíduos.
A pergunta que importa fazer é simples: porque continuamos a concentrar tantos esforços em reciclar plástico, em vez de reduzir drasticamente a sua produção?
A reciclagem é importante, mas nunca será suficiente. Nenhum sistema de recolha conseguirá acompanhar um modelo económico que produz embalagens descartáveis a um ritmo desenfreado. O verdadeiro desafio não é reciclar mais; é produzir menos lixo.
Há poucos meses, a Europa apresentou as tampas........
