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Menos agricultores, mais agricultura

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28.04.2026

Quem anda no “campo” sabe, há muito, que se assiste a uma mudança radical no trabalho agrícola. Esse foi o mote de um estudo, recentemente apresentado, sobre Evolução do Trabalho na Agricultura em Portugal.

Por vezes ainda há a ideia, que teima em ficar colada à agricultura nacional como se o tempo não tivesse passado, de que é um setor parado, envelhecido, pouco produtivo e dependente de mão-de-obra indiferenciada. Olhar para os dados mais recentes sobre o tema obriga a desmontar essa narrativa com alguma frontalidade.

Nas últimas décadas, o número de pessoas a trabalhar na agricultura caiu de forma brutal. Passámos de mais de 400 mil unidades de trabalho anuais no início dos anos 90 para cerca de 220 mil hoje. Esta é a primeira leitura e, muitas vezes, a única. Mas é também enganadora. Porque, no mesmo período, o valor gerado por trabalhador mais do que duplicou. Produz-se mais com menos gente. E isso não é um detalhe, é uma transformação estrutural.

A produtividade cresceu porque a agricultura mudou por dentro. Mudaram as culturas, os sistemas produtivos, a escala das explorações e, sobretudo, mudaram as competências exigidas a quem trabalha no setor. Hoje, um agricultor, ou um técnico agrícola, não é apenas alguém que executa tarefas físicas. É alguém que gere risco, que lê dados, que toma decisões com base em tecnologia, que........

© Sapo