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O estranho caso dos tecnototalitários

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21.03.2026

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Igualmente extraordinário é como esses homens conseguiram juntar fortunas colossais em poucos anos, ao mesmo tempo que mudavam de ideias.Pensei em chamar-lhes tecnofacsistas, como a maioria dos comentadores, mas acho que o fascismo é uma doutrina diferente do totalitarismo. Estas pessoas não andam fardadas em paradas (pelo contrário, tendem a ser reclusas) e nem querem um partido único e a execução dos opositores. São muito mais modernas do que isso.

Tecnofascismo, a expressão que os anglo-saxónicos usam para classificar esta ideologia, é definido como a convergência de tecnologias digitais de ponta – tais como IA, vigilância individual e controle das redes sociais – com ideias autoritárias, de extrema-direita e antidemocráticas. Estas super-elites juntam grandes empresas tecnológicas, controlos algorítmicos e extração ilegal de dados para manipular as sociedades. A fusão do poder tecnológico com vigilância pessoal, resulta num modelo antidemocrático, mesmo que as pessoas não percebam que estão a ser manipuladas. Podem envolver formas mais desagradáveis de manipulação, como a xenofobia, racismo e desigualdade de oportunidades.

É muito interessante ver como se chegou aqui. Ao contrário do que perorava Marx, qualquer sociedade produtiva envolve capital e trabalho para se desenvolver. No capitalismo, o capital está na mão dos ricos; no comunismo está na mão da elite no poder. Em ambos os casos quem manda não é o povo (a “classe trabalhadora”, segundo o vocabulário comunista). O poder dos sovietes operários na União Soviética acabou ainda Lenine estava vivo. E não esqueçamos que Kim Jong-Um estudou num colégio de elite na Suíça.

O que aconteceu foi o desenvolvimento muito rápido de certas tecnologias que se queriam democráticas, mas que depressa se tornaram também muito autoritárias. Quer dizer, a ideia da Internet era uma troca........

© Sapo