A mais icónica Bienal do planeta mostra o mundo que temos
Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
Não faltam ensaios e opiniões sobre o papel da Arte na sociedade. Uma situação parece consensual, a Arte reflete a sociedade de um período histórico (curto ou longo, tanto faz) e aponta o caminho do momento seguinte. Diz que é uma crítica ao presente, mas é muito mais uma representação desse presente e do desejo de progredir – sempre de olhos no futuro. Mas isto não é consensual; a Gioconda é o símbolo do Renascimento ou foi o Renascimento que tornou possível a obra de Da Vinci? Picasso é um percursor permanente, por isso tornou-se o grande artista do século XX, ao mudar constantemente, num século em que houve mais mudanças do que nos anteriores. E, tal como o tempo foi de rotura constante, a arte “rompeu-se” a si própria ao criar a obra conceptual. Uma peça de arte deixa de usar os suportes clássicos (quadros, esculturas) e passa a exprimir um conceito. Sai do espaço dimensional para entrar no não espaço. Isto é difícil de compreender para um público que não tem uma formação artística muito profunda (a situação é universal) e passa a haver aquilo a que poderíamos chamar de arte heterónima (não é um bom nome, mas não nos ocorre melhor): a Arte “artística” – aquela que todos podem perceber – a arte “mercantilista” – os clássicos e modernos que vendem por quantias exorbitantes, mais como investimento e símbolo do estatuto de quem pode dar milhões de euros por uma peça – e a arte “experimental” em que as instalações propõem conceitos em vez de representações da realidade.
Voltando à questão paridade entre a Arte e o mundo real, como o mundo real está uma confusão infernal, em que as ditaduras se dizem........
