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Quem quer pagar a minha reforma?

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21.07.2026

É como um daqueles anúncios em que (espera-se) já ninguém cai: "Ligue, e fique rico em seis meses." Mas quando a equação mete o Estado, esse saco de dinheiro sem fundo que ninguém se rala em saber de onde vem, passa-se a achar tudo razoável, até desejável e de elementar justiça.

A maioria dos portugueses considera que seria positivo que a idade da reforma recuasse para os 65 anos, ou até viesse mais cedo, mas não está disponível para cortes nos valores da pensão, tão pouco para fazer um pé de meia paralelo num sistema privado. E afirmam-no com a mesma candura com que admitem que a Segurança Social provavelmente colapsaria com essa mudança. "Que se lixe quem vier atrás." É apenas uma evolução do "os ricos que paguem a crise" e outras pérolas que difundem a ideia de que são os mais pobres quem mais contribui para o bem comum. 

Vou só lembrar aqui que cerca de 42% das famílias portuguesas não pagam IRS e mais de metade da receita total desse imposto, que neste ano garante ao Estado cerca de 20 mil milhões de euros, é suportada por 6% dos portugueses, os "ricos", que levam para casa mais de 3.600 euros por mês.

Tudo normal, num país cujos trabalhadores não sabem olhar para o recibo de salário e constatar que os 1.100 euros que levam para casa custam mais de 1.500 ao empregador; o resto, vai para o Estado pagar aquilo que você acha que lhe é dado de graça. Tudo certo, num país que não entende quanto paga de impostos cada vez que sai de casa — ou mesmo sem sair, que cada vez que acede a luz entrega 0,23 euros diretamente ao Estado, por cada 1 euro "consumido". Tudo se entende num país que ainda acredita que os descontos que faz........

© Sapo