O país do amanhã, governado por ontem: O enigma da renovação falhada
A política portuguesa parece viver num crepúsculo interminável, uma luz dourada que promete amanhecer, mas nunca rompe verdadeiramente o horizonte. Há discursos inflamados, promessas de renovação, juras de “virar a página”, mas o livro permanece preso no mesmo capítulo, aquele onde os protagonistas não cedem o palco e os figurantes são escolhidos por quem controla o “script”. O país suspira por rejuvenescimento, mas recebe apenas retoques de maquilhagem institucional.
O romantismo aqui nasce do próprio fracasso. Portugal é um país fértil em gente brilhante, talentosa, cosmopolita, pessoas que poderiam reescrever a gramática do poder com a delicadeza de quem borda e a firmeza de quem constrói. Mas estes potenciais protagonistas, quando espreitam a política, encontram um salão antigo onde os anfitriões seguram as chaves com mais força do que seguram ideias. Há ali uma coreografia de cordialidades e pequenas fidelidades que repetem-se ao longo de décadas como um bailado que já perdeu o encanto, mas continua em cena por teimosia ou outro adjetivo que possam imaginar.
Os caciques ou os velhos do Restelo (como preferirem), uns com juventude........
