Bolsonarismo: a celebração da imbecilidade
A Anvisa emitiu alerta técnico sobre riscos de determinados lotes de produtos da marca Ypê.
Milhares de apoiadores de Jair Bolsonaro reagiram ao alerta como “perseguição”, defendendo o consumo como ato de militância.
O incidente demonstra a politização de medidas sanitárias dentro do bolsonarismo, transformando a crítica em identidade política.
O episódio ocorreu enquanto hospitais colapsavam e covas coletivas eram abertas em Manaus, evidenciando a negação científica na pandemia.
O episódio envolvendo a marca Ypê talvez seja um dos retratos mais acabados do estágio de degradação intelectual a que chegou parte significativa do bolsonarismo. Diante de uma recomendação técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária sobre riscos relacionados a determinados lotes de produtos, milhares de pessoas decidiram reagir não com prudência, nem com racionalidade, mas com fanatismo político. A lógica foi simples, grotesca e reveladora: se a marca esteve associada a apoiadores de Jair Bolsonaro, então qualquer medida regulatória contra ela só poderia ser “perseguição”. E, portanto, consumir um produto potencialmente nocivo passou a ser, para alguns, um ato de militância ideológica.
Há algo profundamente perturbador nisso. Não apenas pela irresponsabilidade sanitária, mas porque o caso escancara um fenômeno muito maior: o bolsonarismo transformou a imbecilidade em identidade política. O absurdo deixou de ser um desvio vergonhoso e virou demonstração pública de pertencimento. Quanto mais ridícula a tese, mais ela funciona como senha tribal. A irracionalidade passou a operar como prova de fidelidade.
Foi assim na pandemia. Enquanto hospitais colapsavam e covas coletivas eram abertas em Manaus, milhões de brasileiros aderiram à negação científica como se fosse uma cruzada moral. A vacina, fruto de décadas de pesquisa científica acumulada, foi convertida em objeto de paranoia delirante.........
