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Com o mundo no limite precisamos colocar os olhos no Irã

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06.01.2026

O Irã chega a 2026 governado pelo medo. Não é força, não é convicção ideológica, não é projeto nacional. É medo. Medo da rua, medo do colapso econômico, medo de ataques externos e, sobretudo, medo de que tudo isso aconteça ao mesmo tempo. Quando um regime passa a administrar apenas a própria sobrevivência, ele deixa de ser governo e se torna trincheira.

Esse quadro não se forma no isolamento. O mundo iniciou 2026 muito mais instável e imprevisível do que terminou 2025.

As feridas abertas pela guerra em Gaza continuam supurando; a paz na Ucrânia segue distante; os exercícios militares da China em torno de Taiwan tornaram-se mais robustos e explicitamente intimidatórios; a tensão sobre a Groenlândia cresce fora do radar público. A prisão e transferência de Nicolás Maduro para Nova Iorque introduziram um grau inédito de instabilidade geopolítica na América do Sul e no Caribe, regiões historicamente tratadas como zonas de paz. Nesse tabuleiro em ebulição, o Irã não é exceção — é parte do padrão.

Dentro do país, manifestações se espalham por cidades médias, bairros empobrecidos e campi universitários. O motor da revolta é simples e brutal: a economia colapsou. A moeda perdeu valor, os preços explodiram e até o tradicional bazar de Teerã — termômetro histórico da estabilidade política — fechou as portas em protesto. O discurso ideológico perdeu eficácia diante da experiência concreta da escassez.

A nova geração foi além. As palavras de ordem deixaram de pedir reformas graduais e passaram a questionar diretamente o poder clerical e sua legitimidade. Em diversas regiões, a repressão empurrou protestos para confrontos violentos, com mortos entre manifestantes e forças de segurança. O conflito já não é........

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