A estética da submissão: como a extrema direita usa a magreza para controlar mulheres
Artigo analisa padrões de beleza como instrumento de controle político sobre mulheres em momentos de avanço conservador.
Histórico mostra que após Primeira Guerra, anos 1950 e décadas de 1980/1990, o ideal de magreza intensificou-se paralelamente à entrada das mulheres no mercado de trabalho.
Especialistas apontam que a magreza extrema comunica vulnerabilidade e fragilidade, facilitando a dominação e reduzindo a energia psíquica para resistência.
O texto relaciona o avanço da extrema direita atual ao endurecimento de padrões corporais e ataques a direitos reprodutivos e autonomia das mulheres.
Existe algo profundamente revelador e perigosamente recorrente na forma como os corpos femininos são tratados em momentos de avanço conservador. Eles não apenas mudam, mas encolhem, se silenciam e se apagam ao longo do tempo.
Isso não é coincidência estética, mas sim um projeto político.
Em O Mito da Beleza, Naomi Wolf demonstra que os padrões de beleza não surgem como fenômenos naturais ou neutros. Eles operam como instrumentos de controle social, especialmente em momentos em que as mulheres avançam em direitos, autonomia econômica e participação política. Quanto mais livres as mulheres se tornam, mais rígido, cruel e inalcançável passa a ser o padrão que lhes é imposto.
A beleza, portanto, não é apenas uma questão cultural, mas uma tecnologia de poder.
A........
