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Mais Antão, Isterrégui e Dãoviu….

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20.01.2026

Tenho comentado de vez em quando sobre “coisas de véio”. Uma delas é acordar lembrando de pessoas ou acontecimentos dos tempos de criança. Na manhã em que escrevo este texto, acordei me lembrando dos tempos em que o único meio de sair de Nova Resende por transporte coletivo era a jardineira para Guaxupé: saía às 7h da manhã e, depois de percorrer 60 quilômetros, passando por São Pedro da União ou Juruaia (originalmente passava apor São Pedro, depois mudou), chegava-se às 10h da manhã em Guaxupé. De volta, saía de Guaxupé às 14h e chegava em Nova Resende às 17h, fazendo ponto final num bar cheio de gente curiosa esperando para ver quem chegava. Quer dizer, chegava às 17h quando não chovia muito e a estrada de terra se transformava num atoleiro.

A jardineira fazia também o serviço para os correios, trazia as correspondências, jornais e revistas. Antes de chegar ao tal bar, dava uma paradinha no correio para descarregar essas coisas. O agente do correio e um auxiliar separavam rapidamente a correspondência, enquanto pessoas que esperavam receber alguma correspondência esperavam em frente. Alguns minutos depois, abria-se um guichê e o agente entregava a correspondência… Os assinantes de jornais também. Não havia carteiros na cidade. 

No ponto final, era muito raro “apear” alguém de fora. De vez em quando, vinha o parente de alguém. Gente desconhecida era um acontecimento, praticamente ninguém que não fosse de Nova Resende ou tivesse algum parente na cidade ia lá. Entre os nova-resendenses, com frequência chegava alguém que tinha viajado a São Paulo por um motivo qualquer, seja tratamento de saúde ou fazer compras. Aproveitavam para, por exemplo, assistir aos filmes que demorariam muito a chegar a Nova Resende (acreditem: com uns 2 mil habitantes, tinha um cinema que passava filme todos os dias) e comprar coisas que não existiam na nossa terra. E contavam as novidades. 

Mas o que eu me lembrei mais foi do motorista (o “chofer”) e do cobrador. O motorista chamava-se Bolivar, e a pronúncia do nome dele não era Bolívar, como o original, a sílaba tônica era no final, “Bolivár”, assim........

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