Cuba, Irã e a obsessão americana por mudar regimes
Em janeiro de 2026, o presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu que Cuba “fizesse um acordo” e pressionou países a limitar exportações de petróleo à ilha.
Em fevereiro, Trump sugeriu uma “tomada amigável” de Cuba, provocando forte repercussão internacional e temores de escalada.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, declarou que Cuba não pode mais servir de refúgio a adversários dos EUA, vinculando-a a China, Rússia e Irã.
A ofensiva reforça a tradição histórica dos EUA de pressionar e isolar governos considerados hostis, prática presente na América Latina e no Oriente Médio.
A nova ofensiva de Donald Trump contra Cuba surge em um momento de crescente instabilidade internacional e reafirma uma tradição histórica profundamente enraizada na política externa dos Estados Unidos: a tentativa recorrente de pressionar, isolar e enfraquecer governos considerados incompatíveis com seus interesses estratégicos. Mais do que uma disputa bilateral com Havana, a retomada das sanções e ameaças revela a persistência de uma lógica intervencionista que atravessa décadas — da Guerra Fria às guerras contemporâneas —, frequentemente legitimada em nome da democracia, mas marcada por bloqueios econômicos, ingerências políticas e graves consequências sociais para populações inteiras.
A ofensiva mais concreta ocorreu em 1º de maio de 2026, quando Trump assinou uma nova ordem executiva ampliando significativamente as sanções econômicas contra a ilha. A medida foi apresentada como parte de uma estratégia de “pressão máxima” sobre o governo cubano.
Ao longo dos primeiros meses de 2026, a escalada ganhou dimensão maior por meio de declarações públicas de Trump e de integrantes de seu governo, especialmente o secretário de Estado, Marco Rubio. Em janeiro, Trump afirmou que Cuba deveria “fazer um acordo antes que seja tarde demais”, enquanto Washington passou a pressionar terceiros países a restringirem exportações de petróleo destinadas à ilha.
Em fevereiro, Trump chegou a sugerir uma espécie de friendly takeover (“tomada amigável”) de Cuba, declaração que provocou forte repercussão internacional e alimentou temores de uma escalada ainda maior.
A retórica voltou a subir de tom em maio, após movimentações diplomáticas e de inteligência envolvendo Havana. O diretor da CIA, John Ratcliffe, declarou que Cuba “não poderia mais servir de refúgio seguro para adversários dos EUA”, vinculando a ilha a preocupações estratégicas envolvendo China, Rússia e Irã.
Mais do que um episódio isolado envolvendo Cuba, a nova escalada americana recoloca em evidência uma característica histórica da política externa dos Estados Unidos: a crença de que........
