A maré à direita e os desafios da esquerda na América do Sul
Em 2026, Abelardo de la Espriella venceu Iván Cepeda na eleição presidencial da Colômbia, instalando a direita radical.
A vitória encerra o curto ciclo progressista no país e segue a guinada à direita já vista na Argentina, Equador, Chile e Peru.
A campanha se sustentou no aumento de extorsões, narcotráfico, milícias, sequestros e assassinatos que afetam milhões de colombianos.
Em bairros populares, milícias e grupos de segurança substituíram sindicatos e organizações comunitárias, reduzindo a presença estatal.
A eleição presidencial colombiana de 2026 produziu um resultado que poucos anos atrás pareceria improvável. Depois de eleger, pela primeira vez em sua história, um presidente de esquerda, a Colômbia decidiu entregar o comando do país a um candidato identificado com a direita radical. A vitória apertada de Abelardo de la Espriella sobre Iván Cepeda encerra um ciclo político e amplia uma tendência que vem se desenhando em diferentes partes da América do Sul.
Para quem observa a região a partir de uma perspectiva progressista, a notícia não pode deixar de provocar preocupação. Argentina sob Javier Milei, Equador sob Daniel Noboa, Chile caminhando para uma inflexão conservadora, Peru novamente sob influência da direita e agora a Colômbia. O mapa político sul-americano parece cada vez mais desfavorável às forças de esquerda.
Mas a pior reação possível seria atribuir esse avanço apenas à manipulação da opinião pública, às fake news ou à suposta irracionalidade dos eleitores. Embora esses elementos existam, eles não explicam tudo. A esquerda precisa compreender por que parcelas significativas da população passaram a enxergar seus adversários como portadores de respostas mais convincentes para problemas concretos.
A política do medo e da insegurança
A principal bandeira da nova direita latino-americana não é a economia. É a segurança.
A América Latina continua sendo uma das regiões mais violentas do planeta. Em diversos países, o crime organizado ampliou sua influência territorial, econômica e política. Extorsões, narcotráfico, milícias, sequestros e assassinatos tornaram-se parte da vida cotidiana de milhões de pessoas.
Quando o medo se instala, discursos de força tendem a ganhar espaço. Foi assim em El Salvador com Bukele. Foi assim no Equador. Foi assim no Brasil com Bolsonaro. E foi exatamente esse sentimento que impulsionou a campanha vitoriosa na Colômbia.
A esquerda frequentemente responde enfatizando direitos humanos, inclusão social e combate às causas estruturais da violência. Tudo isso é correto. O problema surge quando a população conclui que essas respostas são insuficientes diante de uma realidade marcada pela insegurança diária.
A direita compreendeu que o medo produz mobilização política muito mais rapidamente do que a esperança.
O esgotamento de um ciclo progressista
Há outro fator que não pode ser ignorado. Os governos progressistas latino-americanos obtiveram conquistas importantes ao longo das últimas duas décadas. Milhões saíram da pobreza. O acesso à educação aumentou. Houve ampliação de programas sociais e redução de desigualdades.
Mas muitos dos problemas estruturais permaneceram. A dependência da exportação de commodities, a baixa produtividade, a fragilidade industrial, a concentração da riqueza e a vulnerabilidade fiscal continuaram limitando o potencial de transformação dessas economias.
Quando o crescimento desacelerou, a insatisfação social reapareceu.
Em vários países, a direita........
