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Oleiros: Berço de um explorador

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15.01.2026

Quando comecei a escrever o livro “De Oleiros ao Tibete”, sabia que estava a seguir os passos de um homem excecional, mas não imaginava a profundidade espiritual e humana que encontraria ao longo desta investigação. O Padre António de Andrade, natural de Oleiros, não foi apenas um missionário jesuíta do século XVII, foi um explorador, um pioneiro cultural e o primeiro europeu a chegar ao Tibete, numa época em que esse território era quase lendário para o Ocidente.

Para mim, a sua história representa a síntese entre a fé, a ciência e a aventura — uma viagem física que se transforma, inevitavelmente, numa viagem interior. E foi precisamente isso que procurei recriar neste livro: o diálogo entre o homem e o mistério, entre o missionário e o viajante, entre Oleiros e o mundo.

Escrever sobre António de Andrade é, antes de mais, escrever sobre Oleiros. Foi ali, entre montes e vales, que nasceu um dos homens mais audazes do seu tempo. Oleiros é mais do que um ponto no mapa, é o berço de uma identidade que molda o caráter e a fé.

O século XVII português era um tempo de expansão e de incerteza. Enquanto o Império se debatia entre a glória e a crise, as ordens religiosas — em especial a Companhia de Jesus — assumiam o papel de levar o conhecimento e a fé para os confins do mundo. Foi nesse contexto que António de Andrade se formou, um jovem movido por uma fé inabalável e por uma curiosidade que o levaria muito além das fronteiras conhecidas.

Sempre me impressionou imaginar aquele rapaz de Oleiros a sonhar com terras distantes, guiado apenas pelo impulso do espírito. Talvez tenha sido essa mesma inquietação que o empurrou para uma vida de missão e descoberta.

Antes de chegar ao Tibete, António de Andrade ingressou na Companhia de Jesus, ordem conhecida pela disciplina intelectual, o rigor moral e a dedicação à educação e à missão. Nas suas casas de estudo, os jesuítas preparavam não apenas teólogos, mas verdadeiros embaixadores culturais.

Ao estudar os seus escritos e as cartas da época, percebi como........

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