O conflito social na transição energética: esclarecer para avançar
Nos últimos anos, a energia deixou de ser apenas um capítulo da agenda climática: tornou-se uma questão de segurança de abastecimento e de resiliência económica. A pandemia, a guerra na Ucrânia e as tensões geopolíticas atuais trouxeram esta questão para o centro do debate público.
A resposta europeia foi acelerar a transição energética colocando as energias renováveis como principal pilar para a independência energética, através de metas mais ambiciosas, revisões de diretivas, e novos planos de ação.
Neste contexto, e dadas as políticas dos últimos anos, Portugal demonstrou ser resiliente e menos vulnerável à volatilidade associada aos combustíveis fósseis, assegurando uma oportunidade de catapultar a económica nos próximos anos.
A elevada incorporação de eletricidade renovável, os custos de eletricidade competitivos e a posição geográfica estratégica colocam o país com as condições ideias para atrair novas atividades industriais intensivas em energia, desde os data centers ao aço verde, passando pela produção de baterias. Mas esta oportunidade não é automática, pode perder-se se os bloqueios atuais estruturais persistirem.
Um dos principais bloqueios à concretização dos projetos de energias renováveis em Portugal é hoje de natureza social. Mais do que um problema técnico, trata-se de um conflito que emerge da perceção dos........
