50 anos de Portugal democrático em Veneza
Portugal participou pela primeira vez em democracia na Bienal de Veneza em 1976. A representação foi um gesto de reconhecimento de uma democracia emergente: a Bienal legitimou Portugal e Portugal legitimou a Bienal.
Dois anos depois do 25 de Abril, Portugal instala-se no pavilhão de Alvar Aalto, cedido pela Finlândia, evidenciando a dimensão relacional de um regresso inscrito num paradigma de "cultura democrática e antifascista". Entre 1974 e 1977, sob a presidência de Carlo Ripa di Meana, a Esposizione Internazionale d'Arte reformava-se, abandonando a lógica competitiva e a representação nacional passiva: denunciava a ditadura de Pinochet, celebrava a Espanha democrática, confrontava a U.R.S.S. com La Biennale del Dissenso e mantinha o boicote à África do Sul devido ao Apartheid.
Ana Hatherly e Alberto Carneiro materializaram essa condição. Em Revolução (1975), Hatherly filma Lisboa em ebulição e a política escrita nas paredes, legível. Os sete rituais estéticos sobre um feixe de vime na paisagem (1975), de Carneiro, deslocam........
