Um vírus muito mediático
Ao longo das últimas semanas, as várias guerras que assolam o mundo, as declarações sempre contraditórias e disparatadas de Donald Trump e a crise económica anunciada partilharam a sua presença hegemónica nos meios de comunicação social com uma entidade desconhecida de quase todos: um hantavírus.
De um momento para ou outro, voltámos a ver na televisão médicos, cientistas e peritos em saúde pública a explicar à população o que são hantavírus, como se transmitem e que riscos colocam. O desembarque dos passageiros do Hondius, o navio de cruzeiro onde o vírus foi identificado, transformou-se num momento de invulgar mediatização, com direito a diretos nas televisões de todo o mundo.
Entretanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS), médicos e especialistas internacionais e o Centro Europeu de Controlo de Doenças Infeciosas esforçavam-se por tranquilizar as pessoas, explicando-lhes que um hantavírus é muito diferente do vírus que causa a covid-19, e que não estávamos na presença de uma nova pandemia. Mas ainda assim, uma forte presença mediática, aliada aos naturais receios de quem ainda não se esqueceu dos anos de 2020 e 2021, catapultaram o hantavírus para uma exposição, no mínimo, inesperada.
Comecemos por alguns factos. Os hantavírus não são um novo tipo de vírus. Pelo contrário,........
