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Liberdade de excreção

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07.02.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.

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Por muitos anos, vivi em Brasília a experiência do cronista sem rua. Isto porque na capital federal as pessoas só se deslocam sobre quatro rodas. Quando se sai a pé é para exercitar o físico antes de ir à repartição, ou depois. Caminha-se, mas há sempre um objetivo claro e pragmático nesse caminhar. Uma finalidade corpórea. Veloz e para frente, sem perder tempo com distrações e eventos colaterais, pois ou é o relógio-ponto que chama ou é a noite que já começa a cair.

Algum tempo depois de Brasília, veio a pandemia e tive outra experiência longe da rua, então como cronista home-office, conectado à vida por sondas de fibra ótica por onde passavam bits terapêuticos. É bem verdade que os dias de cronista em quarentena foram breves, pois passei todo o período pandêmico na China, o lugar mais seguro do mundo depois que o vírus foi proibido pelas autoridades locais de deixar a cidade de Wuhan.

Mas se o vírus foi contido, o mesmo não se pode dizer do hábito de navegar nas redes sociais, que viralizou. A rua continuava ali, atrás da janela, mas as redes se tornaram incontornáveis. Novas vias por onde transitar em busca de temas, personagens, revelações, estalos e lampejos. O........

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