A violência herdada na língua
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A língua modela a identidade de um povo ou é a história desse povo que modela a língua que ele fala? Essa pergunta, um pouco do tipo de “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?” está no centro de muitas discussões atuais sobre as relações entre identidade e linguagem. Para nós, que falamos português, essa discussão nos leva diretamente a pensarmos em nosso passado violento e no presente que desejamos construir. O que, afinal, a nossa língua diz sobre quem somos — e o que nós fizemos dela?
À exceção de Portugal, trata-se de uma língua herdada da colonização, transmitida sob violência histórica e carregando nela tanto as marcas do dominador quanto as inflexões de quem a ressignificou. Dizer que Portugal é a exceção não significa poupá-lo da violência. Mas o povo português também foi vítima — de pobreza, de exploração, de governantes autoritários. A diferença não está em ter ou não sofrido, mas no lugar histórico que a língua teve nesse processo: lá, ela cresceu com todo o povo; aqui, nas colônias, foi imposta de fora e, para muitos, foi uma imposição violenta.
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Acredito que a história modele a identidade de um........
